
Se você está no Itacorubi, perto de nosso colégio, o Autonomia, pode seguir em frente e subir o famoso “Morro da Lagoa”. Logo após você pode optar: virar à direita e ir pelo Canto ou seguir em frente e virar nas Rendeiras, na Osni Ortiga, e andar um bom bocado pelo Porto da Lagoa, Rio Tavares, e então entrar na Avenida Campeche, que fica à esquerda, onde temos uma pequena agropecuária (ou se preferir siga em frente e, depois do TIRIO, vire à esquerda na Pequeno Príncipe). Enfim chegamos ao Campeche!
Você provavelmente está na Lagoinha, se seguiu pela Avenida Campeche; aqui você não encontrará mais nada a não ser uma bela paisagem com extensas áreas verdes (lotes que logo, logo serão dominados por casas e prédios, infelizmente), casinhas, casões, prediozinhos e algum comércio. Estando na Av. Campeche você pode entrar facilmente na praia (que é uma “extensão” da cobiçada Joaquina), tanto por pequenas dunas, caminhos desertos ou mesmo locais mais “cheios”. Caso você tenha seguido pela Pequeno Príncipe, ande um bom tanto em linha reta, casas, escolas, comércios e mais comércios serão sua principal visão, aqui é a área mais “urbanizada” do Campeche. Se você seguir até o final chegará à entrada principal da praia, onde garanto que estará lotada de gente aproveitando o sol e o mar.
Ok, você já sabe como chegar ao Campeche (que fica antes do Morro das Pedras, Armação etc.), agora só falta decidir o que você quer fazer lá: se você quer curtir uma boa comida típica de frente para a praia; o sol escaldante, a brisa e o mar refrescante; a Ilha do Campeche (belíssima, por sinal!); um bom banho na Lagoinha; ou se o que você realmente quer é morar por aqui…
O atrativo principal, obviamente, é a praia, onde, diferente de muitas outras praias, ninguém tem cor, credo ou classe social. Somos todos iguais, pessoas que querem curtir o sol e o mar, a comida e a bebida, o surf e a vida. Não precisamos ter vergonha de chegar com calhambeques ou carros importados, é só chegar, estacionar e entrar. Aqui cada um é cada um, ninguém depende de ninguém e todos são um só: um único ser que sorri ao ver o mar.
Agora moramos no Campeche: somos todos iguais, vamos a pé aos mercadinhos, caminhamos até a praia, compramos peixe, camarão e ostra com o ‘peixeiro’, espantamos os cãezinhos da nossa frente, andamos de bicicleta, tentamos desvendar onde se encontram nossas calçadas e os garis, vamos trabalhar de carro ou de ônibus, vamos para a escola e aproveitamos a paisagem.
Estamos num semiparaíso.
Ah, mas claro que o Campeche, como qualquer outro paraíso, tem suas (des)ilusões: do local mais limpo e belo ao mais sujo e amedrontador. Becos escuros e cheios de lixos que nos lembram cenas de crimes do século XVIII e paraísos tropicais onde todos possuem belas casas e carros, onde tudo é limpo e verde.
O Campeche é como qualquer outro bairro e tem seus contrastes, seus altos e seus baixos, mas, a convivência entre os mesmos ainda é repleta de harmonia em alguns pontos. Na rua onde eu moro, por exemplo, vemos casebres e casarões, o que não faz com que a rua seja mal arborizada ou mesmo perfeitamente bem cuidada, mas faz com que as pessoas convivam entre si, se cumprimentem e não tenham medo de dizer onde moram. Ah, lixo? Sim, isso é um problema. Temos MUITO espalhado por aí, como na maioria das ruas e “servidões” do Campeche, o que realmente é um fator ruim, muitas vezes causado pelo abandono de animais, que é algo assustador. Ok, todos nós merecemos viver e conviver em liberdade e harmonia, mas, os cães, por exemplo, não precisam fazer festa todas as noites e muito menos devem ser abandonados por aí. Por culpa de tal descuido que há dos donos com seus cães, não é difícil vermos labradores, pastores e cães de raça por aí. Mas, algo pior é: pit bulls e seus ataques violentos (neste verão passamos por episódios lamentáveis envolvendo cães da raça soltos na praia e nas redondezas).
O quase-Paraíso Campeche é um local ótimo para morar, porém aviso antes: more perto das grandes avenidas ou tenha um carro à disposição, porque nem sempre você chegará fácil a sua casa, caso você a queira nas ruelas mais agradáveis.
Pelo difícil acesso ao bairro ainda há poucos anos, muitos moradores do centro da cidade e do continente possuem casas de veraneio aqui e descem apenas para finais de semana e feriados, o que torna aqui um lugar muito tranqüilo e agradável de se morar pelo baixo movimento nos dias de semana.
Como não sou nativa da Ilha e, muito menos conheço a história do bairro, não posso aprofundar e dizer o que é certo e o que é errado. Aqui somos todos ‘manezinhos’, independente do tamanho do bolso ou da nacionalidade, adoramos ficar com as pernas para o ar e curtir a brisa.
Mas ainda assim não nos esquecemos da vida: dos nossos direitos como cidadãos, nosso deveres e necessidades. Não somos suburbanos, somos apenas de bem com a vida.
Lígia Moreira Garcez Pacheco – 1B